Em comemoração ao dia internacional da mulher, foi realizado evento na Universidade de Mogi das Cruzes, Campus Vila Lobos, com professores do curso de Direito e convidados da área jurídica.

A responsável pela organização e presidência da mesa foi a professora Diana Mármora e a abertura das discussões foi realizada pelo Coordenador do Curso de Direito-UMC, Victor Hugo Nazário Stuchi.

Foram discutidos aspectos relacionados aos direitos das mulheres, desafios e violência.

Temas:

Ø  A proteção dos direitos da mulher no âmbito internacional-Profª. Adriana Borgui

Ø  Violência contra a mulher e repercussões psicológicas-Profª. Mariana da Silva Ferreira

Ø  O trabalho da mulher e as implicações trabalhistas-Profª. Celia Peres

Ø  A evolução dos direitos da mulher no direito de família e sessões-Profª. Isa Gabriele Stefano

Ø  A proteção da mulher na Previdência Social-Profª. Kátia Cristine Oliveira Teles

Ø  O papel da mulher, educadora da sociedade, na perpetuação da discriminação de gênero-Profª. Maura Spada

 

 

Diana Mármora                                                                          Victor Hugo Nazário Stuchi 

                               

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Resumo da brilhante apresentação da Dra. Maura Spada, fornecido ao Prodigs.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O papel da mulher (educadora da sociedade) na perpetuação das discriminações de gênero: convite à reflexão

Já são bem discutidas as causas do subjugo da mulher nas diferentes sociedades e como ocorreu essa evolução histórica.

Conhece-se bem os avanços e conquistas, não a duras penas, do espaço da mulher na atualidade e quanto ainda há a conquistar. Entretanto algo em particular causa-nos inquietação: qual o papel da mulher, educadora da sociedade, na perpetuação das discriminações de gênero.

Pensemos:

- Nos domicílios as mulheres são maioria no papel de educadoras dos filhos.

- No censo de 2010 registrou-se que as mulheres comandam 37,3% dos domicílios.

- Nas famílias sem vínculo matrimonial em quase 90% dos casos a mulher é a mantenedora da família (dados IBGE 2014 sobre 2010) [i].

- Nas escolas de educação básica (Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio) as mulheres representam mais de 80 % do corpo docente.

- Na Educação Infantil chega a 97% e 90% na educação de crianças até 11 anos (Ensino Fundamental I). Sendo estes os mais preciosos anos de formação da personalidade.

Esses dados demonstram um total predomínio da mulher na educação das novas gerações.

Mas isso não é novo desde meados do século passado esse panorama já vem se configurando. O papel da mulher na formação das crianças é notório.

 Além e atrelada a essa informação é preciso considerar que essa mesma mulher vem cada vez mais se especializando:

- 55% dos ingressantes no ensino superior são mulheres.

- No caso dos concluintes 60% são mulheres – há entre elas menor desistência.

-Dados do MEC- Senso 2012[ii] - Fora os cursos de tradição feminina (educação, enfermagem, serviço social, psicologia) – As mulheres já são maioria em cursos como: Direito, Administração e Ciências Contábeis.

Resta-nos uma questão: Se nós mulheres estamos no comando da educação há pelo menos 50 anos, se estamos mais bem informadas e capacitadas, o que estamos fazendo de errado na condução das crianças que os índices de violência contra a própria mulher são tão elevados? 

- Como estamos educando nossos filhos em casa?

- Que educação escolar é essa que não consegue desenvolver Atitudes e Valores de respeito para com a mulher?

- Será a própria desvalorização social do magistério uma mensagem do currículo oculto?

- Por que há tanta violência contra essa mulher a ponto de precisarmos de leis protecionistas? Não falo das leis que levam em consideração as particularidades da maternidade, mas as que visam proteger-nos dos nossos próprios filhos, nossos próprios alunos!

Encerro esta reflexão, admitindo que não tenho respostas e quero convidá-las(os) a meditar sobre esses questionamentos.



[i] INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA.Estatísticas de Gênero. 2010. Disponível em:<

http://www.ibge.gov.br/apps/snig/v1/?loc=0&cat=-15,-16,55,-17,-18,128&ind=4704> Acesso em 10/02/2015

[ii] MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO (Brasil).Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Censo da Educação Superior 2010. Brasilia, DF, 2012. Disponível em: <http://sistemascensosuperior.inep.gov.br/censosuperior_2012/> . Acesso em: 10/02/2015.

 

 

Imagens do evento e das apresentações: