Pedofilia

A pedofilia é conhecida popularmente pela atração ou prática sexual de pessoas adultas por crianças ou adolescentes.

A Organização Mundial da Saúde define a pedofilia como preferência sexual de indivíduo adulto por crianças, quer se trate de meninos, meninas ou de crianças de um ou do outro sexo, geralmente pré-púberes, tal definição está prevista na Classificação Internacional de Doenças (CID-10).

A medicina considera a pedofilia como uma patologia, ou seja, uma doença, e a classifica na área da psiquiatria, mas nem sempre o indivíduo que pratica atos sexuais com crianças e adolescentes, possui esse diagnóstico, e segundo alguns estudos, estes são considerados molestadores ou agressores sexuais.

Essas diferenças geram muitas dúvidas, inclusive no meio médico, aonde as alterações mentais, quando identificadas, nem sempre são compatíveis com a classificação médica de pedofilia, mas mesmo assim os indivíduos são chamados de pedófilos.

Na maioria dos casos, o pedófilo é do sexo masculino (89%) e está próximo da vítima, dentro de sua casa, como pai, padrasto, irmão, ou tem acesso a casa, como parentes próximos e amigos da família. As meninas são até três vezes mais vitimadas do que os meninos e a faixa etária prevalente é de 11 a 15 anos, mas não há exceção de faixa etária, até mesmo os bebês são vítimas de abuso sexual.

O pedófilo sente intensa atração sexual por crianças e adolescentes, geralmente são pessoas boas, honestas e que não despertam qualquer tipo de suspeita, é o famoso, gente boa, cara legal, ponta firme, eles possuem técnicas premeditadas para atrair suas vítimas, as forçam ou as convencem a realizar os atos sexuais e, além disso, fazem de tudo para que a vítima seja desqualificada, ou seja, que ninguém acredite nela, nem mesmo os pais, caso ela resolva contar sobre o abuso.

É doloroso demais para os pais perceberem que também foram enganados e que ao invés de proteger a criança, muitas vezes a forneceram ao abusador.

O grande dilema da pedofilia é que o pedófilo “não tem cara”, como no título do livro Monstro não se aproxima de criança, ele não tem cara de monstro ou de pervertido e tarado, ele muitas vezes tem boa aparência e grande carisma.

Sempre que um pedófilo é flagrado e preso, não é incomum ouvir os conhecidos dizendo que estavam chocados, que aquele homem era um ótimo vizinho, um bom colega de trabalho, um marido exemplar,uma pessoa livre de qualquer suspeita, etc.

A vítima de abuso sexual pode ter importantes repercussões psicológicas, que podem manifestar-se durante o abuso, em seguida ou pelo resto da vida, é fundamental que essa criança ou vítima já na fase adulta, recebam apoio e tratamento psicológico.

Como saber se a criança está sendo vítima de abuso sexual?

Segundo Georges Cognet, as crianças não sabem descrever sua angústia, nem os conflitos internos dos quais ela decorre, salvo através das manifestações somáticas corporais que a acompanham, tais como dores de cabeça, de barriga, faltas de ar, palpitações, tremores etc. A criança sente um sofrimento confuso, doloroso, mas não consegue elaborá-lo, ou seja, verbalizá-lo, nem expressá-lo...

Essa vítima pode, portanto, apresentar inúmeras alterações emocionais, de comportamento e até mesmo manifestações físicas, como por exemplo, dificuldade de concentração e de aprendizado, alterações da fala e comportamento de evasão (se isola), hipersexualização, baixa autoestima, agressividade, rebeldia, enurese e encoprese tardia (faz xixi e cocô na cama ou na roupa em idade que não é normal fazer), Insônia, terror noturno, medo excessivo geralmente de pessoa específicas, anorexia, bulimia e outros transtornos alimentares, perda da visão positiva do mundo, entre outras alterações.

Não é nada fácil identificar essas alterações e associá-las ao abuso sexual, mas, a mudança do comportamento habitual da criança é mais visível, e os pais devem estar atentos às essas mudanças e em caso de persistência, é necessário procurar ajuda profissional como psicólogos e médicos psiquiatras.

Não tente resolver esse problema sozinho!

Nos últimos anos a pedofilia ganhou destaque, devido ao aumento do número de casos denunciados e a criação da Internet, o que proporcionou aos pedófilos uma nova e eficaz ferramenta de acesso às crianças e adolescentes.

No que tange à Internet, a pornografia infantil, apesar de sempre ter existido e sido ilegal, de acordo com Cassandra Pereira França, em seu artigo Emanações da caixa de Pandora, apesar de ser o meio de comunicação mais revolucionário da história da humanidade, infelizmente, provocou um boom na disseminação da pornografia infantil, aonde apesar dos esforços de combate pela segurança pública, quando um site é bloqueado, outros brotam imediatamente.

Com as redes sociais, as pessoas menos prudentes acabam expondo suas crianças e nem imaginam que as fotos que postam, como a de seu bebê lindo tomando banho, ou com o bumbum de fora, possam ser usadas para satisfazer o desejo sexual de inúmeros adultos, pois quando se pensa em pedofilia, a maioria das pessoas acha que corresponde a prática sexual efetiva, mas desconhecem que existem pedófilos que saciam seu desejo sexual apenas olhando o corpo infantil nu, ou praticam a masturbação utilizando as imagens.

Infelizmente a pedofilia não é tema atual, e os números que temos acesso através de estatísticas são ilusórios, ou seja, não correspondem a realidade, os casos que viram estatística representam apenas a minoria ou o que conhecemos como números subestimados.

A única arma que temos contra esse mal é a informação, através dela podemos prevenir o abuso e proteger nossas crianças. Precisamos conversar com as crianças, orientá-las, mesmo quando se trata de questões de ordem sexual.

Caso você não consiga, ou não se sinta a vontade para isso, peça ajuda aos educadores, às pessoas que tem preparo para isso. Crianças e adolescentes bem esclarecidos tornam-se presas menos prováveis de pedófilos.