Violência contra a mulher

De acordo com a porta voz da ONU, mulheres no Brasil, Nadine Gasman, a violência contra a mulher é uma construção social, resultado da desigualdade de força nas relações de poder entre homens e mulheres. É criada nas relações sociais e reproduzida pela sociedade.

Todos os dias nos deparamos com estatísticas e notícias que refletem essa triste realidade, as mulheres há séculos sofrem violência de diversas modalidades, desde as ofensas verbais até a morte, chamado de feminicídio.

O feminicídio ou femicídio é o termo utilizado para designar a violência contra a mulher, que leva ou pode levar à morte.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o feminicídio geralmente envolve o assassinato intencional de mulheres apenas por serem mulheres.

O feminicídio normalmente é cometido por homens, mas, algumas vezes também envolve membros da família, inclusive do sexo feminino. Difere do homicídio masculino, pois a maioria dos casos de feminicídio é cometida por parceiros ou ex-parceiros e pode envolver o abuso contínuo em casa, como ameaças ou intimidação, violência sexual ou situações onde as mulheres têm menos poder ou recurso do que o homem.

Segundo dados da OMS, 35% dos homicídios femininos no mundo são cometidos por seus parceiros, e nos casos em que o agressor não tem relação de intimidade com a vítima, o termo usado é feminicídio “não íntimo”, e a  América Latina é uma das regiões mais conturbadas por crimes como este, o que envolve estupros, assédios e  assassinatos por discriminação de gênero.

Para Maurício Santoro, assessor de direitos humanos da Anistia Internacional do Brasil, a razão principal desses crimes é o machismo. Diz que é um círculo vicioso, porque a baixa participação das mulheres na política não consegue levar aos órgãos institucionais e públicos uma melhora, um desenvolvimento. (http://noticias.terra.com.br/mundo/violencia-contra-mulher).

Segundo o Mapa da Violência 2012 do Instituto Sangari (abril de 2012), de 1980 a 2010, foram assassinadas no país perto de 91 mil mulheres, 43,5 mil só na última década. O número de mortes nesses 30 anos passou de 1.353 para 4.297, o que representa um aumento de 217,6% – mais que triplicando – nos quantitativos de mulheres vítimas de assassinato.

De 1996 a 2010 as taxas de assassinatos de mulheres permanecem estabilizadas em torno de 4,5 homicídios para cada 100 mil mulheres. Espírito Santo, com sua taxa de 9,4 homicídios em cada 100 mil mulheres, mais que duplica a média nacional e quase quadruplica a taxa do Piauí, estado que apresenta o menor índice do país.

Entre os homens, só 14,7% dos incidentes aconteceram na residência ou habitação. Já entre as mulheres,essa proporção eleva-se para 40%.

Duas em cada três pessoas atendidas no SUS em razão   de violência doméstica ou sexual são mulheres;em 51,6% dos atendimentos foi registrada reincidência no exercício da violência contra a mulher.

E QUEM SÃO ELAS?

Elas estão por aí, são mães, filhas, irmãs, sogras,   amigas, somos nós mesmas, andam pelo   shopping     com suas sacolas nas mãos, preparam nossos almoços, cuidam de nossos filhos na escolinha, dormem no quarto ao lado, elas são elas, todas elas, que sofrem caladas ou não, o abuso e violência do dia a dia. É a moça que passa em frente ao prédio em construção e recebe um   “fiu fiu” seguido de gostosa, é a garota de 12 anos que é estuprada pelo padrasto porque ficou mocinha, é a enfermeira que trabalha setenta horas por semana e quando chega em casa, apanha e é estuprada por não ter feito o jantar, é a mulher que está desnutrida de miséria de amor, excesso de agressões e de abandono.


É a menina Malala, que leva um tiro na cabeça, apenas porque queria ter o direito de estudar como os meninos e a mulher que vira escrava sexual por não pertencer à mesma religião do agressor.

São todas elas, essas mulheres, essas pessoas que levam suas rotinas, enxugam o rosto enquanto fazem suas obrigações, apesar dos pesares, a mulher que vai à delegacia, fazer o 15º Boletim de ocorrência e tem que voltar para casa junto ao agressor, que a espanca com um fio de eletricidade até arrancar sua pele. Essas são elas, essas são aquelas e essas somos nós! Mulheres... 

Mais do que estatísticas subestimadas, são pessoas reais e que precisam de ajuda e proteção, para que a sua liberdade e igualdade sejam também reais.